Filosofia da Arte. Poesia em português e aruak, línguas do Brasil.

ÁGUAS

Manoel de Barros
Traduzido para o Aruak por Elivelton Roberto 
ûne
 
Desde o começo dos tempos águas e chão se amam.
Inuxuati to’ixowo meum ûne poke’e ngahapi
Eles se entram amorosamente e se fecundam
Enomone yu’ukapu omesone oko ahikapu
Nascem formas rudimentares de seres e de plantas, filhos dessa fecundação.
Ohono indukuá xuinati eweseko noneti xexa ewesekone
Nascem peixes para habitar os rios
E nascem pássaros para habitar as árvores
Ohono ho’e koko’iti xuikinu
Ohono ho’openo xuikinu tikoti
Águas ainda ajudam na formação das conchas e dos caranguejos
Ûne enomone dua’axa apéne eyone enone indukowo êno lo’o
As águas são a epifania da natureza.
Ûne ihomuyone ûne exone
Agora penso nas águas do Pantanal
Nos nossos rios infantes
Que ainda procuram declives para correr.
Indoko isoneum ûne huwe’o wituke
Wexone wopoxikuati heu ko’iti ahakowoti
Porque as águas deste lugar ainda são espraiadas para o alvoroço dos pássaros.
Êno ûne poke’e oke’ekone ho’openo xeoko’oko ho’openo 
Prezo os espraiados destas águas com as suas beijadas garças
Konuxowoti ûne ohe’ekoti ho’openo
Nossos rios precisam de idade ainda para formar os seus barrancos
Para pousar em seus leitos
Wituke huweo apéne yiaku xainano inati itukowo inati
Ixowoko imokuane tukuane isone
Penso com humildade que fui convidado para o banquete esta água.
Insoneum kaliketi anzaxikokomo êno kokonoti na ûne
Porque sou de bugre
Porque sou de brejo
Itukenowo xane
Itukenowo yomono
Acho que as águas iniciam os pássaros
 Acho que as águas iniciam as árvores e os peixes
Acho que as águas iniciam os homens. Nos iniciam
Eno ûne enone ho’openo
Eno ûne enone tikoti, ho’e
Eno ûne enone hoyeno
E nos alimentam e nos dessedentam
Nika ûti oiti
Louvo esta fonte de todos os seres, de todas as plantas, de todas as pedras.
Inamati openoti hiko heukoiti enoneti
Louvo as natências do homem do pantanal
Inamati notências hoyeno huweó
Todos somos devedores destas águas
Somos todos começos de brejos e de rãs.
Heuko hiko ûne heuko yomono
E a fala de nossos vaqueiros carrega murmúrios des águas
Enowakana wakeiro eherukuati murmurio ûne
Parece que a fala de nossos vaqueiros tem consoantes líquidas
E carrega de umidez as suas palavras
Koyuhone wakeiro apé enoyoka aimá unepá yupoxowo
Penso que os homens deste lugar são a continuação destas águas
Itukoti insoneum hoyeno omopora owongu korikoowati okowo ûne
Atenção: Alguns erros da língua portuguesa não puderam ser corrigidos.
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