Filosofia da Arte. Poesia Galega. Helena Villar Janeiro

Prender a luz

e mergullar o tempo

na beleza.

via ESTANQUE — Tirar do fío

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‘A vida é curta, mas vale a pena.’ – Ciência – Estadão

Fonte: A vida é curta, mas vale a pena – Ciência – Estadão

Fixo 12 (14). Filosofia da Arte. ¨Retrato¨. Cecília Meireles

 ¨Retrato¨

Cecília Meireles

Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
– Em que espelho ficou perdida
a minha face?

Cecília Meireles

Cecília Meireles

(Obra poética, Volume 4, Biblioteca luso-brasileira: Série brasileira. Companhia J. Aguilar Editora, 1958, p. 10) 
http://www.poesiaspoemaseversos.com.br/

Filosofia da Arte. Poesia. Carlos Drummond de Andrade

Rodrigo Ferrão

Rubem Alves. O TEMPO E AS JABUTICABAS

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¨O TEMPO E AS JABUTICABAS¨
 
(Esta postagem está especialmente dedicada a Helena Villar Janeiro e Josiana Freitas Alves, com amor.)
Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver
daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela
menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela
chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
 
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir
quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
 
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos.
Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos
para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem
para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.
 
Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir
estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas,
que apesar da idade cronológica, são imaturos.
 
Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões
de ‘confrontação’, onde ‘tiramos fatos a limpo’.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo
majestoso cargo de secretário geral do coral.
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: ‘as pessoas
não debatem conteúdos, apenas os rótulos’.
 
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a
essência, minha alma tem pressa…
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente
humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta
com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não
foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados,
e deseja tão somente andar ao lado do que é justo.
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade. Desfrutar desse
 amor, absolutamente sem fraudes, nunca será ‘perda de tempo.’
 O essencial faz a vida valer a pena.
 
Rubem Alves
 
 

Rubem Alves
Unicamp